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05/03/2010
Sobe roubo de cargas em duas cidades
 
Duas cidades da região tiveram aumento no número de roubos de cargas em 2009 na comparação com 2008: São Caetano (82%) e Diadema (31%). É o que aponta levantamento do Setrans (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas), regional do Grande ABC.

São Bernardo é a líder de roubos de carga entre as sete cidades da região com 192 casos registrados no ano passado, mas houve queda de 20% em relação ao ano anterior. Em toda região, também houve menos casos, com redução de 6%: 444 crimes registrados em 2009 contra 473 no ano anterior. "São levantamentos feitos com boletins de ocorrência registrados nas delegacias", explica o presidente do Setrans, Sallon Kalil.

O estudo ainda mostra que a grande maioria dos roubos acontece dentro do perímetro urbano (95%) e não nas estradas que servem a região (5%). Nesses casos, os índices estão estáveis nos últimos quatro anos.

Para o delegado do Centro de Inteligência da Polícia Civil da Delegacia Seccional de São Bernardo - também responsável por São Caetano - Mitiaki Yamamoto, a dificuldade de combate a esse tipo de crime acontece porque "a cidade tem malha viária de trânsito rápido e de fácil acesso a rodovias, o que facilita o escoamento de cargas."

Ainda segundo Yamamoto, "vias de trânsito do perímetro urbano têm núcleos habitacionais por onde já se verificou a pulverização de produtos de origem ilícita."

A especialização das quadrilhas agrava o problema e amedronta os caminhoneiros. "Eles agem rapidamente e em grande número de pessoas. Não dá nem para pensar em reagir", afirma um motorista de 47 anos, assaltado em julho do ano passado em Diadema. "Me levaram para um cativeiro e me aterrorizaram durante horas", recorda.

Violência obriga transportadoras a aumentar frete

Os roubos de cargas influenciam o preço dos fretes cobrados por caminhoneiros autônomos e transportadoras. "Pelo menos 15% do frete fica por conta dos investimento em segurança", afirma o presidente do Setrans, Sallon Kalil.

Segundo o especialista em segurança Paulo Roberto de Souza as empresas estão rastreando cada vez mais veículos. "Isso tem um custo e muitos não têm condição de arcar. É preciso de R$ 5.000 a R$ 7.000 por veículo para se investir em rastreamento."

Em alguns casos, mesmo o rastreamento não é suficiente para evitar o roubo. Na semana passada, uma quadrilha presa em São Caetano, dispunha de um aparelho para retirar e bloquear o rastreador e um dos ladrões era especialista nesse tipo de intervenção. "Se o rastreador desse problema, me matariam", afirmou o caminhoneiro de 52 anos.

Os custos com escoltas armadas são suportados apenas por empresas que transportam cargas mais valiosas. "É claro que todo esse gasto é passado para o frete", afirma Souza.

Fonte: Diário do Grande ABC 
 
 
   
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