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22/07/2010
Diesel de cana vai ser testado em agosto
 
Parceria da americana Amyris (que tem participação do grupo pernambucano Cornélio Brennand) com usinas brasileiras garante a produção. A expectativa é que o diesel ganhe escala depois dos testes

O diesel de cana-de-açúcar começará a ser usado em seis ônibus da cidade de São Paulo a partir de agosto. O produto é fabricado numa parceria entre a empresa americana Amyris – que conta com uma participação do grupo pernambucano Cornélio Brennand – e algumas usinas instaladas no Mato Grosso e no oeste paulista. “A expectativa é que o produto ganhe escala depois que for concluída essa fase de testes”, diz o diretor de novos negócios do Grupo Cornélio Brennand, Francisco Andrade. Isso deve ocorrer em 2011.

A experiência nos ônibus na cidade de São Paulo será feita para que o diesel da cana-de-açúcar passe a ser certificado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regula o setor de combustíveis em todo o País. Três ônibus vão usar 5% do diesel de cana e os outros vão rodar com 100% deste biocombustível.

Os primeiros litros do diesel de cana foram produzidos, experimentalmente, no ano passado, em Campinas, no interior de São Paulo. A empresa americana tem duas plantas, uma na Califórnia (nos Estados Unidos) e outra em Campinas

A tecnologia utilizada para fazer o diesel foi desenvolvida simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. “A levedura utilizada para converter o caldo da cana em diesel é brasileira”, explica Francisco Andrade.

A Amyris também estuda o lançamento de vários produtos verdes, que serão fabricados a partir do álcool, como plásticos e borrachas, os quais poderão substituir os plásticos feitos a partir dos combustíveis fósseis. Os Estados Unidos não possuem grandes plantios de cana-de-açúcar. “Não há outro cultivo que gere tanto açúcar de uma forma barata e rápida”, explica Andrade, acrescentando que o Brasil e a Índia podem fornecer a matéria-prima para o diesel.

O Grupo Cornélio Brennand atua na área de produção de energia (Atiaia energia), mercado imobiliário (a Reserva do Paiva) e também tem a Companhia Industrial de Vidros (CIV). Já a Amyris surgiu a partir de investimentos realizados pela Fundação Bill & Melinda Gates para desenvolver uma vacina anti-malária feita a partir da cana. Atualmente, a Amyris americana conta com uma participação da petroleira francesa Total – que está investindo em combustíveis verdes – e também do Grupo Votorantim.

O atual diesel comercializado no País tem apenas 5% de biocombustível adicionado ao diesel fóssil. Este biodiesel é produzido a partir de um óleo vegetal – feito principalmente com a soja –, que é misturado ao álcool da cana-de-açúcar. O diesel da cana poderá ser fabricado numa quantidade muito maior porque ele usa a estrutura já existente nas usinas que produzem álcool e açúcar.

Fonte: Jornal do Commercio/PE
 
 
   
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